A relevância cultural precede a relevância comercial
A relevância cultural precede a relevância comercial

Mercados não morrem de concorrência.

Morrem de irrelevância.

Poucas coisas na história se tornaram relevantes apenas por suas características.

O fogo não transformou a humanidade porque aquecia.

A escrita não se espalhou porque era eficiente.

Os cafés europeus não mudaram a sociedade porque serviam café.

Cada um deles conquistou algo muito mais valioso: um espaço na vida coletiva.

Tornaram-se símbolos de pertencimento. Instrumentos de construção cultural. Parte da forma como as pessoas se relacionavam entre si e compreendiam o mundo ao seu redor.

Mercados costumam esquecer essa lição.

Quando o consumo cai, procuram respostas no preço, no produto ou na comunicação.

Mas a relevância raramente nasce dessas variáveis.

Ela nasce quando algo passa a ocupar um lugar na identidade das pessoas.

Talvez por isso os mercados mais interessantes nem sempre sejam aqueles onde uma categoria possui a tradição mais longa.

Muitas vezes são aqueles que precisaram construir a sua relevância quase do zero.

Quem herda consumidores tende a preocupar-se em preservar.

Quem precisa conquistá-los aprende mais cedo que relevância não é permanente.

E que cada geração precisa encontrar uma razão própria para manter determinado produto, hábito ou símbolo dentro da sua história.

Nenhum produto atravessa séculos apenas porque é bom.

Atravessa séculos porque continua produzindo significado.

Mercados não começam a desaparecer quando perdem consumidores.

Começam a desaparecer quando acreditam que eles sempre estarão lá.

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